Minha nora quebrou um ovo na minha cabeça diante de 14 parentes e exigiu: “Limpa isso e assina.” Meu próprio filho ficou calado enquanto ela tentava tomar minha empresa e minhas contas — mas ninguém naquela mesa sabia o que eu havia escondido na cristaleira.
PARTE 1 —Limpa essa sujeira e assina logo. Nesta casa, até uma travessa velha vale mais do que você. Patrícia riu enquanto a gema do ovo escorria pelos cabelos brancos de Helena Almeida e manchava a blusa clara que ela havia escolhido para o almoço de domingo. Quatorze parentes estavam sentados ao redor da enorme mesa da sala de jantar. Ninguém falou nada. Nem Marcelo. O próprio filho de Helena apenas abaixou os olhos e apertou o copo d’água entre os dedos. Aos 74 anos, Helena continuava sentada na cabeceira onde seu marido, Augusto Almeida, costumava ocupar o lugar antes de morrer, oito meses atrás. A casa, no Alto de Pinheiros, em São Paulo, havia sido construída depois de quarenta anos de trabalho. Augusto começara com uma pequena empreiteira. Helena cuidava das contas, negociava com fornecedores e ajudara a transformar o negócio na Almeida Engenharia, uma empresa familiar respeitada. Depois da morte dele, Marcelo prometera: —Mãe, você nunca vai ficar sozinha. Duas semanas dep...