Minha filha fazia 3 anos quando a noiva do milionário pisoteou os presentes dela diante de toda a festa e sussurrou: “Esta casa nunca será de vocês.” Eu apenas abracei minha menina e recolhi a manta rasgada, mas quando o anel de noivado caiu sobre a mesa, o dono da mansão revelou quem ele já tinha escolhido como família.
PARTE 1 —Se essa menina quer presente, primeiro precisa aprender que lugar de empregada não é no centro da festa. A frase saiu da boca de Lívia Figueiredo com um sorriso tão educado que, por alguns segundos, o salão inteiro fingiu não ter entendido. As taças continuaram suspensas, o quarteto seguiu tocando, e quase duzentas pessoas numa cobertura de Jardim Europa, em São Paulo, olharam para minha filha de três anos como se ela tivesse cometido um crime por existir. Eu, Camila Nascimento, apertei a mão de Malu e senti o sangue sumir. Trabalhava havia quase dois anos na casa de Henrique Barreto, dono de uma empresa de tecnologia logística. Saía do Grajaú antes das cinco e chegava naquela casa onde até o silêncio parecia caro. Limpava mármore, passava camisas italianas e servia café a gente que mal olhava para mim. Eu aceitava porque precisava criar Malu. O pai dela desapareceu antes do nascimento e nem constava na certidão. Minha mãe cuidava dela quando podia, mas naquele mês ficou...