Passei três dias encharcada, com fome e presa na varanda enquanto a assistente do meu marido saía tranquilamente do apartamento. Quando ele finalmente apareceu, nem perguntou se eu estava bem: “Você vai sair daqui sem nada” — disse, colocando os papéis do divórcio diante de mim; ele só não sabia que, na manhã seguinte, descobriria a verdade que nunca quis enxergar.
PARTE 1 —Se você encostar nesse bolo, eu peço o divórcio hoje mesmo. Por um segundo, achei que Renato estivesse fazendo uma piada cruel. Eu havia passado três dias sem comer, presa na varanda do nosso apartamento luxuoso no Brooklin, em São Paulo, usando apenas o roupão que eu vestira depois do banho. Tudo começara com uma “brincadeira” de Lívia Barros, assistente pessoal do meu marido. Aos vinte e sete anos, Lívia tinha o talento de transformar humilhação em espetáculo e depois dizer que os outros não sabiam se divertir. Naquela tarde, ela sabia que eu estava no chuveiro. Entrou no banheiro, jogou uma barata de borracha perto dos meus pés e gritou que havia outra no quarto. Assustada, corri para a varanda. Quando atravessei a porta de vidro, ouvi o clique da trava. Primeiro pensei que ela abriria em segundos. Depois bati no vidro. Gritei. Vi Lívia pegar a bolsa, ajeitar o cabelo diante do espelho e sair do apartamento como se nada tivesse acontecido. Meu celular ficara no banhei...